26 de jun. de 2026

Querido Professor Arthur


O primeiro contato que tive com o Senhor foi nas aulas de Direito Internacional Público, que o Sr ministrava na graduação da Faculdade de Direito da UFMG. Eram aulas intensas, engraçadas, aparentemente anárquicas: os assuntos se sucediam num ritmo frenético, as opiniões contundentes do Sr se seguiam umas às outras mas tudo se encaixava e depois se concluía, naturalmente.

Foi apenas um semestre, que logo findou.

Algum tempo depois eu o encontrava no ônibus SC03, no trajeto entre a Faculdade e minha residência. Nós nos cumprimentávamos com um aceno de cabeça e o Sr sempre descia um ponto antes do meu.

Posteriormente descobri que o Sr estava, nesses deslocamentos, dirigindo-se ao Centro Espírita Luz e Humildade, na Avenida do Contorno, em Belo Horizonte. Descobri, ainda, que o Sr era um dos palestrantes habituais do Centro.

A convite de meu amigo Alan, passei a frequentar essas palestras. Foi minha iniciação no Espiritismo.

A exemplo de suas aulas, as palestras eram também intensas e engraçadas, mas muito reflexivas e consoladoras. O Sr possui extensa cultura humanista, citava muitos autores e fatos históricos, concatenando tudo ao Evangelho do Cristo e a nossa condição de Espíritos encarnados.

Ao tomar conhecimento da desencarnação do Sr, lembrei-me com saudade desses momentos e constatei que fui frequentador costumeiro dessas palestras, foi o primeiro contato que tive com o movimento espírita organizado. Recebia passes ao final das palestras e cheguei a receber uma cartinha consoladora, que o Sr mesmo psicografou.

O sentimento experimentado hoje é de muita gratidão ao Sr, pelas palestras instrutivas mas principalmente pelo carinho e atenção que o Sr sempre dispensava, tanto aos alunos quanto aos assistidos da casa espírita. Tenho a certeza que a missão do Sr nessa encarnação foi cumprida com muito êxito, e rogo a Jesus a bênção de o reencontrar nas moradas do Pai, quando encerrar meu ciclo.

Obrigado, Professor Arthur! Deus te abençoe!

17 de out. de 2025

Amores de Julia

Julia é uma jovem venezuelana, acolhida no Amazonas para uma vida melhor.

Há alguns anos ela e parte de sua família se mudaram para Manaus em busca de novas perspectivas de vida. Conseguiram ocupações profissionais e seguem lutando e caminhando, buscando se adaptar a uma realidade diferente.

Julia se envolveu emocionalmente com um parente nosso, e foram por um tempo um casal de namorados. Participamos de alguns eventos familiares e ela cativou a todos com sua alegria e bom humor.

O tempo passou e o romance não engatou. Terminaram por iniciativa dela e ambos seguiram suas vidas, naturalmente.

O que chamou muito a atenção, e motivou esse texto, foi a reação da família quando descobrimos que Julia havia iniciado um novo relacionamento.

Em tempos de redes sociais, todos começaram a receber as notificações e fotos do novo namorado de Julia e  de seus programas em comum: no cinema, no restaurante, etc.

E ficaram bem chateados, houve quem desfez a amizade nas redes e "deixou de seguir".

Fiquei pensando sobre como nossos amores (e não os da Julia) são volúveis. Num momento gostamos da pessoa, simpatizamos, curtimos, torcemos.

No momento seguinte, quando ela não mais faz parte de nosso círculo, todo esse afeto é esquecido e vira mágoa, recalque.

Certamente o componente "foi ela quem terminou" é importante e pesa nessa reação. É como se tomássemos as dores do nosso parente e nos sentíssemos traídos, ultrajados.

Sem falar que o tempo também impacta esse postura crítica: "mal terminou e já está com outro??"

É muito interessante pensar sobre como o sentimento muda de polaridade rapidamente. 



25 de ago. de 2025

26 Anos no Amazonas

 No dia 24 de agosto de 1999 desembarquei pela primeira vez em Manaus.

Havia tomado um voo no Aeroporto da Pampulha, no início da noite. A conexão em Brasília foi rápida porém intensa: enquanto aguardava o voo para Manaus tomei coragem de abrir o cartão que minha mãe me entregara na despedida.

O texto, emocionado, desejava-me sorte e que eu alcançasse meus sonhos. Chorei muito, sentado na sala de embarque.

Em 1999 eu havia passado quatro meses fora de casa, em Brasília, realizando o curso de formação para a carreira para a qual havia sido aprovado em concurso. Naquele momento a realidade batia à minha porta: sairia de casa em definitivo, buscando um futuro do qual não tinha nenhuma certeza.

O voo da Varig chegou no horário, cerca de 22h40. Trouxera apenas uma mala pequena. No saguão ainda não climatizado do Aeroporto Eduardo Gomes tomei contato inicial com o calor amazônico. Busquei de imediato um telefone público para informar a família que havia chegado a salvo.

Logo os companheiros de profissão chegaram para me acolher. Iniciava ali uma jornada inesperada, um futuro do qual não tinha a menor suspeita.

O fato é que aquele dia 24 de agosto, há 26 anos, marcou uma mudança profunda em minha existência. Já vivi mais tempo no Amazonas do que em Minas. E aquele jovem inseguro e tímido que pisou pela primeira vez em solo manauara naquela noite nem imaginava isso.


29 de dez. de 2017

Itamar e Daniella


Há 25 anos, em 1992, contava eu 18 anos e acompanhava com muita atenção todos os desdobramentos do impeachment de Fernando Collor. Não cheguei a ir às manifestações de caras-pintadas, mas estava empolgado pelo clima vivido pelo país.

A imprensa investigava os detalhes da corrupção, explorava a ligação do presidente com PC Farias; o pedido de impeachment fora entregue no Congresso pela ABI e pela OAB e sua tramitação era célere; tudo se encaminhava para a saída do presidente, e se festejava a possibilidade de queda de um político envolto em corrupção.

Lá em casa minha mãe tinha uma assinatura de Istoé, à época comandada por Mino Carta, e eu consumia cada exemplar assim que chegava. Pela TV a pedida era acompanhar tudo pela Bandeirantes, que fazia uma cobertura correta e muito abrangente dos desdobramentos no Congresso.

O pedido de impeachment já fora aprovado na Câmara, Collor estava afastado provisoriamente. O Senado iria começar o julgamento, e a Band apresentava ao vivo a sessão do dia 29 de dezembro.

Estava eu só, em casa, assistindo à sessão, quando o advogado de Collor assume a tribuna. Especulava-se que o presidente poderia renunciar para assim encerrar o processo de impeachment sem julgamento. Dito e feito. O advogado leu a carta de renúncia, e eu acompanhei ao vivo, tomado de fervor cívico. Era um momento histórico.

Os jornalistas enlouqueceram. Correram atrás do Itamar para saber da repercussão. Populares faziam festa nas ruas, parlamentares idem no Congresso. Eu mal me continha de alegria por estar fazendo parte daquele momento nacional, ainda que apenas vendo a TV.

Nesse instante, minha mãe chega em casa, com um ar de muita ansiedade. A primeira coisa que ela me pergunta:

- Ele já está preso?!!

Obviamente, achei que ela se referia ao Collor. Expliquei que não, que ele renunciara naquele momento e que o Itamar era nosso novo presidente.

Minha mãe insistiu na pergunta e comecei a perceber que estávamos falando de coisas diferentes. Foi quando ela falou do trágico assassinato de Daniella Perez e da busca que estava sendo feito ao Guilherme de Pádua.

Mudei de canal para a Globo e vi que só se falava disso. Esse triste acontecimento acabou desviando bastante a atenção do momento político. Itamar e Daniella, Collor e Guilherme dividiram o foco de atenção dos brasileiros nas semanas e meses seguintes.

31 de dez. de 2014

O Hobbit e o Retorno de um quase Rei

Assisti à trilogia "O Hobbit" e o sentimento é de frustração. Sei que a literatura e o cinema têm linguagens diferentes, e que seria impossível a transposição literal do livro para as telas.

Mas mesmo assim lamento o resultado final do filme, pois creio que o principal aspecto da história, a amizade entre o hobbit e os anões, foi trocado pelo drama de um rei que não consegue ser rei.

A opção do filme parece ser destacar a luta por Thorin pelo Reino Sob-A-Montanha. Inventaram um orc antagonista, uma disputa renhida entre ambos, e uma morte "épica" no alto do morro do corvo. Curiosamente, o Hobbit que dá nome ao filme parece ficar esquecido nessa luta entre o Escudo de Carvalho e o "orc pálido".

No livro, Bilbo é o herói improvável que de ladrão inexperiente passa a ser o líder da Comitiva. Olhado com desconfiança pelos anões, passa a ser alvo de um sentimento de respeito, veneração e submissão quando livra a Comitiva de perigo atrás de perigo. Sem sua sorte, sua habilidade e sua esperança de um dia voltar a Bolsão, jamais os anões teriam recuperado o tesouro.

E, no filme, tudo isso parece ficar em segundo plano, pois o que importa é o retorno do quase Rei Thorin.

E, pra completar, praticamente descartaram no filme a figura do Beorn, que para mim é a mais surpreendente personagem. A narrativa de como os anões chegam à casa dele, as maravilhas que encontram na casa, as histórias que ele lhes conta, e sua participação decisiva na Batalha dos Cinco Exércitos, mereceram alguns minutinhos no segundo filme e meros 5 segundos no final da trilogia.

Na obra, quem mata o orc Bolg é Beorn, e não Legolas. E o Azog, que é o pai de Bolg na verdade, no livro é citado poucas vezes, descobrindo os leitores que ele foi morto há muito tempo por Dain. Nada de Azog, o Profano, inimigo feroz de Thorin.

Meu conselho: vá ler o livro. =)

23 de set. de 2013

Missão - SAI

Semana passada cumpri uma missão em Santo Antônio do Içá - SAI - cidade localizada na região do Alto Solimões.

O primeiro aspecto interessante dessa viagem é que ela seria desnecessária de existisse uma estrutura mínima de comunicação no interior amazonense. O fato é que existe um rapaz preso em SAI, e ele responde, também, a um processo na justiça militar. Precisávamos, apenas, que ele fosse intimado de uma decisão - é um direito seu por se encontrar preso.

Tentamos, por dois dias, um contato com o cartório local. Sem sucesso. Não há telefone instalado, e o que consta no sítio do Tribunal de Justiça na verdade toca no cartório eleitoral. Os servidores alegam que o cartório da justiça estadual fica em outro imóvel. Deixamos recado, e nada.

Como se tratava de um assunto urgente, decidiu-se que eu iria até lá intimar o preso. E precisamos montar uma logística, combinando horários de voos e de partidas de embarcações.

Assim, na quinta feira fui de avião até Tabatinga. Na manhã de sexta, tomei uma lancha rápida até SAI. Saímos às dez horas da manhã e chegamos 17h00, com paradas em Benjamin Constant, São Paulo de Olivença e Amaturá.

Cheguei e fui direto à delegacia. Trata-se, na verdade, de um distrito policial, pois compreende tanto a polícia civil quanto a militar. Quando cheguei, o imóvel estava fechado, e algumas pessoas estavam na garagem. Perguntei pelos policiais e fui informado que logo estariam ali.

Conversando com os rapazes, perguntei se eles trabalhavam ali. Eles riram e disseram que, na verdade, eram os presos do semi aberto e estavam ali para dormir.

Continuei a conversa e fiquei pasmo. São eles quem fazem os serviços gerais na delegacia: faxina, cozinha, manutenção. Enquanto isso, os presos do regime fechado estavam lá dentro. Se houvesse um desastre, as chaves estavam com os policiais...

Contaram várias histórias. Que o juiz não liga a mínima para eles. Que vai de vez em quando à cidade (pois responde também por várias comarcas da região) e sempre dá uma desculpa para não soltar ninguém. Que está preso há 3 anos um rapaz acusado de furtar duas latas de tinta acrílica. Ainda sem denúncia e sem processo. Que os advogados da cidade só vão até eles pedir dinheiro e nunca fazem nada. Que não há defensoria.

E mais, que a cidade só conta com um delegado, um cabo da PM e um soldado. O delegado estava em Tabatinga, fazendo um curso. E que os PMs quase nada podiam fazer, apenas registravam a ocorrência, quando os interessados procuravam a delegacia.

Um dos presos relatou que, certa vez, o cabo da PM o chamou para acompanhar uma ocorrência de briga. Chegando ao local, o PM se atracou com um dos contendores, o que acabou derrubando sua arma. Um dos presentes sutilmente guardou a arma, e se o preso não alertasse o PM quanto a isso, teria sido perdido o armamento.

Afirmaram o óbvio: que todos os presos ali se encontravam por vontade própria, pois se quisessem fugir já o teriam feito há muito tempo.

A conversa estava muito animada, e os PMs chegaram. Entrei, intimei o rapaz (que relatou outras histórias surreais) e retornei, no dia seguinte, em outro lancha a Tabatinga.

31 de dez. de 2012

Roberto Carlos e eu

Ninguém me perguntou, mas mesmo assim relato como percebi a presença de Roberto Carlos (RC) em minha vida.

Para um jovem dos anos 90 RC sempre esteve associado à Rede Globo. O único momento em que ele aparecia na mídia era o especial de final de ano. Não tocava nas rádios que eu escutava. Assim, a antipatia que os jovens costumavam ter pela Globo transferia-se automaticamente a ele. Achava as músicas chatas, e o via como mais um instrumento global de alienação popular. Por isso, nutria espontaneamente uma certa má vontade por tudo o que se relacionasse com ele.

Em 2000, estava morando em Manaus. E passava por uma crise, pois não conseguia me adaptar à cidade e queria a todo custo voltar a BH. Embora fosse um momento nebuloso, de lucidez embotada pela tristeza, creio que de maneira inconsciente fui guiado a refletir sobre minha própria identidade. Sempre gosto de lembrar que essa crise me levou ao Espiritismo - o que me tornou grato para sempre a ela.

Assim, em um dos aspectos dessa busca, fui tomado pela curiosidade de saber quais eram as músicas que tocavam na época em que nasci, em fins de 1974. Terminei por comprar o cd (na época LP) lançado por RC naquele ano. De camisa azul aberta, longos cabelos, o sempre presente medalhão, lá estava Roberto. E quando comecei a ouvir, fui levado por um sentimento de melancolia e nostalgia, pois uma das músicas era "O Portão", que falava exatamente do que eu estava experimentando: saudade de casa, inadaptação, vontade de ser acolhido.

Se isso não ajudou a resolver o retorno a BH, ao menos me sensibilizou para poder chorar de saudades, abrindo as comportas das lágrimas. Percebi que não era errado, ou inadequado, sentir falta de um lugar e de suas pessoas. E que isso fazia parte de minha identidade. Escutar aquela música representou uma grande libertação, uma catarse emocional. E me fez muito bem.

Depois disso fiquei interessado pela obra do RC. As demais músicas do LP de 1974 eram sensacionais. Comecei a perceber que muitas músicas que faziam parte de minhas vivências eram do RC. Músicas que outros artistas gravaram posteriormente e cuja autoria eu desconhecia. Como "É preciso saber viver", daquele mesmo LP, que eu só conhecia (e adorava) na versão dos Titãs. Até a música  que o papagaio de meu avô cantava, "Jesus Cristo, eu estou aqui", era dele.

Consegui comprar a biografia "Roberto Carlos em detalhes" antes da proibição judicial. E foi essa leitura que me fez descobrir a riqueza e o valor do Roberto. Tornei-me um fã e admirador a partir do texto que, ironicamente, não agradou a RC, tanto que sua distribuição foi vetada a partir de uma ação proposta por ele.

Hoje concordo com o título de "Rei" dado a ele. É um artista e tanto - seu trabalho tornou e torna nossa vida mais feliz e esperançosa.

24 de dez. de 2012

Feliz Natal

"Feliz Natal", é o que mais se expressa nessa época do ano. Formulamos esse desejo, essa intenção, a torto e a direito. Chega a ser um pouco banal. Desejamos feliz natal pra moça da padaria, para o atendente do telemarketing, nas gravações da secretaria eletrônica. E, obviamente, para aquelas pessoas mais próximas e especiais.

Natal é relativo ao tempo ou ao lugar de nascimento. Natural, nato, natalício são parentes dessa palavrinha. Culturalmente, estamos celebrando o nascimento de Jesus - é a data aceita pela tradição como sendo a relativa aos acontecimentos narrados nos Evangelhos. A anunciação a Maria, a viagem até Belém, o nascimento na manjedoura.

Então - e ninguém precisava ler essa explicação tosca, mas eu a apresento assim mesmo - o nascimento feliz referido pela nossa saudação é o de Jesus. O natal de Jesus se tornou um evento, em geral celebrado na companhia de familiares e com um cardápio diferenciado. Famílias e agrupamentos cultivam tradições, gastronômicas e sentimentais, levadas a cabo nesses dias.

No entanto, a proximidade dos festejos natalinos com o final do ano agrega um valor diferenciado a essa celebração. Precisamos dessa ideia de ciclos iniciando e terminando, daí esses são dias em que planejamos novas realizações, avaliamos o que foi feito e buscamos novas energias e disposição para, literalmente, começar tudo de novo.

E, pensando em uma interpretação um pouco diferente da usual, a expressão "feliz natal" tem tudo a ver com esse momento. Quando falo "feliz natal" para o jornaleiro, penso eu, estou desejando a ele um novo nascimento, um novo recomeço e, além disto,  um nascimento feliz, pleno, exitoso.

Eu sou cristão. E não estou esvaziando o sentido do Natal, atribuindo a ele um significado próximo do "próspero ano novo" (outra expressão banalizada). Por mais felicidade que desejemos agregar ao destino alheio, está fora de nossas possibilidades isentar a criatura de sofrimentos, decepções e agruras. Faz parte de nossa condição a adversidade, a tristeza, o amargor.

E é na mensagem de Jesus, no relato de sua trajetória de fraternidade plena, de comunhão integral com o Pai Divino, de aceitação resignada e confiante das provas da vida, que retiramos a força e a energia necessárias para nossas lutas diárias. Que exemplo maior de amor ao semelhante, de esperança no futuro, de simplicidade e de beleza na conduta podemos encontrar?

Que a vida renasça em ti bela e feliz. Que encontres força e motivação para cumprir teus compromissos, aceitar teus desafios e seguir adiante, integrado ao amor de Deus. É o que te desejo com o meu "Feliz Natal"!

16 de set. de 2012

Cartas Para Julieta

Eu e France sempre escolhemos de comum acordo os filmes a que assistimos no cinema. Há gêneros que obviamente não passam pela pré-qualificação: terror, violência, comédias cínicas, entre outros.

Quanto aos demais, certamente há os que mais me agradam, e ela tolera, e vice versa. Assim, ela assiste a minhas animações e aos filmes de aventura, e eu a acompanho nas comédias românticas. Costumamos brincar que vamos acumulando créditos quando assistimos a um filme que agrada ao outro, e depois os compensamos.

Um dos filmes da cota dela a que assistimos foi "Cartas Para Julieta". Na história, um casal de noivos viaja à Itália, na região da Toscana. O rapaz é um cozinheiro em busca contatos com fornecedores para seu restaurante prestes a ser inaugurado em Nova York. A moça é jornalista e aspirante a escritora, e espera que seja uma viagem romântica.

Em Verona, eles encontram uma antiga tradição inspirada na história de 'Romeu e Julieta': numa espécie de 'muro das lamentações amorosas', diversos bilhetes e cartas são deixados, todos endereçados à integrante da família dos Capuleto e contendo indagações, pedidos de conselhos, dúvidas, desabafos, e etc.

Um grupo de senhoras, intituladas 'secretárias de Julieta', e funcionárias da prefeitura local, recolhe as mensagens e as responde, em nome de Julieta. A protagonista da história, Sophie, encanta-se com a tradição, à medida em que seu noivo gradativamente dela se afasta, pois está mais interessado na culinária italiana. A ideia do romantismo na viagem aos poucos esmorece. 

Ao vasculhar o muro onde são afixadas as cartas para Julieta, Sophie acaba encontrando uma carta ali deixada há mais de 50 anos. Ao ler a missiva, encanta-se com a narrativa de Claire, uma jovem inglesa que se apaixona perdidamente por Lorenzo, um morador de Siena. Na carta, Claire pergunta a Julieta o que fazer, pois está apaixonada mas precisa retornar a Londres e sabe que seus pais não aprovariam o relacionamento com o jovem italiano.

Confiante de que o amor nunca termina, Sophie responde à carta de Claire, incentivando-a a correr atrás de seu amor.

Claire, ainda morando na Inglaterra, acaba por receber a resposta escrita por Sophie e anima-se a voltar à Itália e procurar por Lorenzo. Sophie acaba se juntando a ela nessa busca, e ambas, na tradição das comédias românticas, encontram seus amores - e não estou falando do noivo cozinheiro.

Quase toda comédia romântica é previsível, e essa não é exceção. Mas ainda assim a gente se deixa levar pelo enredo, torce pelo 'felizes para sempre' e se diverte. E ainda escuta uma trilha sonora bacana e se deslumbra com as belas paisagens da Toscana.

24 de fev. de 2012

Na Clínica

Esposa: Alô?
Marido: Oi, amor! Já estou aqui na clínica da prefeitura, para fazer a castração de nossa cadelinha.
Esposa: Que bom. Está muito cheio aí?
Marido: Não, tem duas gatas na nossa frente, e depois mais três gatinhas na fila.
Esposa: [silêncio mortal]
Marido: Alô?
Esposa: De que tipo de gata você está falando?
Marido: Hein? Como assim? Ah, entendi. [rindo]. São gatinhas, animais, daquelas que fazem miau.
Esposa: Então tá certo.
Marido: [bancando o engraçadinho] Mas agora que você comentou passei a prestar atenção, as donas das gatinhas não deixam nada a dever a elas...
Esposa: [outro silêncio mortal]
Marido: Alô?
Esposa: Aproveita que você está aí e pede para te castrarem também. [desliga]
Marido: Alô? Alô?

[Baseado em fatos reais]