Julia é uma jovem venezuelana, acolhida no Amazonas para uma vida melhor.
Há alguns anos ela e parte de sua família se mudaram para Manaus em busca de novas perspectivas de vida. Conseguiram ocupações profissionais e seguem lutando e caminhando, buscando se adaptar a uma realidade diferente.
Julia se envolveu emocionalmente com um parente nosso, e foram por um tempo um casal de namorados. Participamos de alguns eventos familiares e ela cativou a todos com sua alegria e bom humor.
O tempo passou e o romance não engatou. Terminaram por iniciativa dela e ambos seguiram suas vidas, naturalmente.
O que chamou muito a atenção, e motivou esse texto, foi a reação da família quando descobrimos que Julia havia iniciado um novo relacionamento.
Em tempos de redes sociais, todos começaram a receber as notificações e fotos do novo namorado de Julia e de seus programas em comum: no cinema, no restaurante, etc.
E ficaram bem chateados, houve quem desfez a amizade nas redes e "deixou de seguir".
Fiquei pensando sobre como nossos amores (e não os da Julia) são volúveis. Num momento gostamos da pessoa, simpatizamos, curtimos, torcemos.
No momento seguinte, quando ela não mais faz parte de nosso círculo, todo esse afeto é esquecido e vira mágoa, recalque.
Certamente o componente "foi ela quem terminou" é importante e pesa nessa reação. É como se tomássemos as dores do nosso parente e nos sentíssemos traídos, ultrajados.
Sem falar que o tempo também impacta esse postura crítica: "mal terminou e já está com outro??"
É muito interessante pensar sobre como o sentimento muda de polaridade rapidamente.
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