17 de out. de 2025

Amores de Julia

Julia é uma jovem venezuelana, acolhida no Amazonas para uma vida melhor.

Há alguns anos ela e parte de sua família se mudaram para Manaus em busca de novas perspectivas de vida. Conseguiram ocupações profissionais e seguem lutando e caminhando, buscando se adaptar a uma realidade diferente.

Julia se envolveu emocionalmente com um parente nosso, e foram por um tempo um casal de namorados. Participamos de alguns eventos familiares e ela cativou a todos com sua alegria e bom humor.

O tempo passou e o romance não engatou. Terminaram por iniciativa dela e ambos seguiram suas vidas, naturalmente.

O que chamou muito a atenção, e motivou esse texto, foi a reação da família quando descobrimos que Julia havia iniciado um novo relacionamento.

Em tempos de redes sociais, todos começaram a receber as notificações e fotos do novo namorado de Julia e  de seus programas em comum: no cinema, no restaurante, etc.

E ficaram bem chateados, houve quem desfez a amizade nas redes e "deixou de seguir".

Fiquei pensando sobre como nossos amores (e não os da Julia) são volúveis. Num momento gostamos da pessoa, simpatizamos, curtimos, torcemos.

No momento seguinte, quando ela não mais faz parte de nosso círculo, todo esse afeto é esquecido e vira mágoa, recalque.

Certamente o componente "foi ela quem terminou" é importante e pesa nessa reação. É como se tomássemos as dores do nosso parente e nos sentíssemos traídos, ultrajados.

Sem falar que o tempo também impacta esse postura crítica: "mal terminou e já está com outro??"

É muito interessante pensar sobre como o sentimento muda de polaridade rapidamente. 



25 de ago. de 2025

26 Anos no Amazonas

 No dia 24 de agosto de 1999 desembarquei pela primeira vez em Manaus.

Havia tomado um voo no Aeroporto da Pampulha, no início da noite. A conexão em Brasília foi rápida porém intensa: enquanto aguardava o voo para Manaus tomei coragem de abrir o cartão que minha mãe me entregara na despedida.

O texto, emocionado, desejava-me sorte e que eu alcançasse meus sonhos. Chorei muito, sentado na sala de embarque.

Em 1999 eu havia passado quatro meses fora de casa, em Brasília, realizando o curso de formação para a carreira para a qual havia sido aprovado em concurso. Naquele momento a realidade batia à minha porta: sairia de casa em definitivo, buscando um futuro do qual não tinha nenhuma certeza.

O voo da Varig chegou no horário, cerca de 22h40. Trouxera apenas uma mala pequena. No saguão ainda não climatizado do Aeroporto Eduardo Gomes tomei contato inicial com o calor amazônico. Busquei de imediato um telefone público para informar a família que havia chegado a salvo.

Logo os companheiros de profissão chegaram para me acolher. Iniciava ali uma jornada inesperada, um futuro do qual não tinha a menor suspeita.

O fato é que aquele dia 24 de agosto, há 26 anos, marcou uma mudança profunda em minha existência. Já vivi mais tempo no Amazonas do que em Minas. E aquele jovem inseguro e tímido que pisou pela primeira vez em solo manauara naquela noite nem imaginava isso.