No dia 24 de agosto de 1999 desembarquei pela primeira vez em Manaus.
Havia tomado um voo no Aeroporto da Pampulha, no início da noite. A conexão em Brasília foi rápida porém intensa: enquanto aguardava o voo para Manaus tomei coragem de abrir o cartão que minha mãe me entregara na despedida.
O texto, emocionado, desejava-me sorte e que eu alcançasse meus sonhos. Chorei muito, sentado na sala de embarque.
Em 1999 eu havia passado quatro meses fora de casa, em Brasília, realizando o curso de formação para a carreira para a qual havia sido aprovado em concurso. Naquele momento a realidade batia à minha porta: sairia de casa em definitivo, buscando um futuro do qual não tinha nenhuma certeza.
O voo da Varig chegou no horário, cerca de 22h40. Trouxera apenas uma mala pequena. No saguão ainda não climatizado do Aeroporto Eduardo Gomes tomei contato inicial com o calor amazônico. Busquei de imediato um telefone público para informar a família que havia chegado a salvo.
Logo os companheiros de profissão chegaram para me acolher. Iniciava ali uma jornada inesperada, um futuro do qual não tinha a menor suspeita.
O fato é que aquele dia 24 de agosto, há 26 anos, marcou uma mudança profunda em minha existência. Já vivi mais tempo no Amazonas do que em Minas. E aquele jovem inseguro e tímido que pisou pela primeira vez em solo manauara naquela noite nem imaginava isso.